quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ahh, se tivessemos mar...


Da crónica de João Quadros no Negócio On-Line:
 "Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística
 (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo
 Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores
 portugueses."
 Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta  semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos  supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco. Uma ONU  do ultra-congelado. Eu explico.  Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca  egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji,  abrótea do Haiti? Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais  viajado que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do  Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica  a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho  vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o  país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.  Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas  cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo. Não é  saudável ter inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica  a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na  lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é  desagradável constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros  para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano. Há quem acabe  por levar peixe-espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado  lá em casa. Eu vi perca egípcia em Telheiras? fica estranho. Perca egípcia  soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma perca  egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo  e esquece-se das compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se  constipar.  Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir  polvo marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: "tem polvo  marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. "Queria quinhentos  de polvo marroquino" - tem de ser dito em voz mais baixa e rouca. Acabei  por optar por robalo de Chernobyl para o almoço. Não há nada como umas  coxinhas de robalo de Chernobyl.  Eu, às vezes penso: O QUE NóS POUPáVAMOS SE PORTUGAL TIVESSE MAR!!!
Recebido por email, muito bom!!! :)




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