terça-feira, 13 de maio de 2014

Nada se Pode Comparar Contigo

O ledo passarinho, que gorjeia
D'alma exprimindo a cândida ternura;
O rio transparente, que murmura,
E por entre pedrinhas serpenteia;

O Sol, que o céu diáfano passeia,
A Lua, que lhe deve a formosura,
O sorriso da Aurora, alegre e pura,
A rosa, que entre os Zéfiros ondeia;

A serena, amorosa Primavera,
O doce autor das glórias que consigo,
A Deusa das paixões e de Citera;

Quanto digo, meu bem, quanto não digo,
Tudo em tua presença degenera.
Nada se pode comparar contigo.

Bocage, in 'Sonetos'

sábado, 3 de maio de 2014


"Tal é o fenómeno do poeta lírico: como génio apolíneo, ele interpreta a música através da imagem da vontade, enquanto que ele próprio, completamente desprendido da avidez da vontade, é um olhar do sol, puro e imperturbado."
Nietzsche