terça-feira, 25 de outubro de 2011

A geração enrascada

Recebi este texto via email, está lindo!!! Tinha que o publicar aqui...



O grande homem é aquele que não perdeu a
candura da sua infância…

Pertenço a uma geração que teve de se
desenrascar.

Nasci ao som do rufar dos tambores da 2ª
Guerra Mundial. Os clarins e as sirenes faziam o toque de à rasca, anunciando
mais um bombardeamento.

A Santa da minha Mãe, pariu-me de cócoras. Quando se sentiu à rasca,
muniu-se da tesoura e do baraço e fez tudo sozinha. Chegou por casualidade
uma vizinha e ajudou aos últimos preparativos, talvez um caldo de galinha
velha, que era o prémio de qualquer parturiente. Hoje, as que se rotulam de à
rasca têm seis meses de licença de parto. Essa vizinha, que durou cento e tal
anos, passou a vida a contar-me isto, vezes sem conta.

Aos miúdos, faziam uns calções com uma abertura na retaguarda, e,
quando estivessem à rasca, baixavam-se, o calção abria e fazia-se em escape
livre e, andava sempre arejado.

Aos dezoito anos, ainda o comboio passava em Mirandela e tive o azar
de fazer cargas e descargas dos vagões para os camiões. Os adubos vinham
em sacos de 100 kg, as pernas tremiam mas tinha que me desenrascar. Os
mais velhos sabem do que falo, o trabalho era duro incluindo as cegadas,
mas…. fazia-se tudo a cantar.

A mesma geração, fez as três frentes da guerra colonial, morreram nove
mil e quinze mil ficaram mutilados e a cair aos bocados, chamam-lhes Heróis,
mas dizem desenrasquem-se.

O 25 de Abril foi feito por essa mesma geração, bons líderes, povo unido
e desenrascaram-se muito bem.

Por fim, a debandada da emigração para toda a Europa, atravessando
montes e vales íamos chegando a todo o lado. Vivíamos em contentores e
barracas, o tacho onde se lavavam as batatas era o mesmo para se lavar o
nariz, mas não nos desenrascamos nada mal.

Depois veio a geração rasca. Drogas, rendimentos mínimos e vergonha
de trabalhar.

Agora, dizem ser a geração à rasca, querem ser todos Doutores,
arrastam-se anos à volta dos cursos, os parques universitários estão cheios de
carros de luxo, ficam por casa dos Pais até aos trintas e “quem aos vinte não é,
aos trinta não tem, aos quarenta já não é ninguém”.

São uns enrascadinhos, não querem assumir a responsabilidade de
uma família, vagueiam de noite, dormem de manhã e a Mãe chama-os para
almoçar. O Pai vai recheando a conta, porque um Pai é um banco
proporcionado pela natureza.

Eu não quero medir tudo pela mesma rasa e acredito muito na
juventude, aconselho-os a que se caírem sete vezes se levantem oito, porque o
Governo está à rasca, a oposição está enrascada e a juventude não se
desenrasca.

Os que cantam, Homens da Luta, é uma luta sem comandantes e o povo
vencido jamais será unido.

Façam pela vida… E, não estejam à espera que o mar arda, para
comer peixe grelhado!...

domingo, 23 de outubro de 2011

Gosta - Alexandra Solnado



"Gosta das pessoas. Gosta de cada pessoa. Das suas almas. E se não gostares de alguém, se achares que esse alguém tem muitos defeitos, eu te desafio a encontrares as suas qualidades. Eu te desafio e a encontrares a alma dessa pessoa.
A percepcionares que atraíste essa alma e ela te atraiu a ti. O que, com certeza, não aconteceu por acaso. Seja o que for que vieram fazer à terra, vieram fazer juntas. É que aqui, havendo coisas a cumprir, é melhor fazê-lo com qualidade, com harmonia e com sinceridade.
Ama as almas das pessoas, e ajuda-as a desistir da resistência e a abrir caminho à aceitação. Conversem, como amigos, sobre os vossos pontos de vista e façam alianças pessoais em que ambos ganhem. Nas quais ambos se vejam a ganhar. Não há alma que não queira a harmonia. Não há alma que não queira o amor. Não há."
O LIVRO DA LUZ – Pergunte, O Céu Responde,
de Alexandra Solnado

Aventura-te - Alexandra Solnado



"Eu falo contigo. Mesmo que tu não ouças, mesmo que não compreendas a minha voz, eu falo contigo. Falo através das flores, das frutas, da natureza. Falo através do que tu sentes sempre que te deres oportunidade de contemplar. E sempre que falo, digo-te o que fazer. O que é melhor para ti, a nível evolutivo e experimental. A nível de luz.
Mas nem sempre me ouves. Nem sempre olhas as flores, nem sempre contemplas. Nem sempre paras para me ouvir. Quando falo, dou-te conselhos, direcções. Mostro-te para onde vai a tua vida, e para onde devia ir, por onde és mais feliz e por onde mora a desgraça. A escolha é sempre tua. Só mostro caminhos. Não os escolho. E para quem não ouve, sobra a perda. Quem não me ouve não pode corrigir nada, apenas sofrer a perda e tentar aprender com ela.
A perda, seja ela qual for, serve para que compreendas que o caminho não estava certo. Mas qual é o verdadeiro caminho? Depois da perda, há a compreensão de que é necessária a mudança. Mas mudar para onde? Mudar para quê? É essa a resposta que deves empenhar-te em descobrir. Tens uma vantagem sobre todos os que não olham para os sinais. Sabes que é preciso mudar. Os outros ainda não sabem disso.
Resumindo: só te falta saber «onde» mudar. E para teres essa resposta, olha para o teu coração, olha para os teus mais íntimos planos. Aquilo que «sabes» que tens de fazer, embora ainda te falte a coragem; aquilo que achas ilógico, precipitado e imaturo. Quanto mais rótulos depreciativos o teu ego tiver colocado no teu sonho, mais forte ele será, e mais urgente também.
Aproveita a perda. Se o que achavas que era bom e seguro já não o é, se o que achavas que era certo já não o é, se o que consideravas «normal» não deu certo, então aventura-te. A perda já tens. O não já tens. Agora aposta no teu mais improvável sonho. Aproveita a perda para ires à procura da tua felicidade."
O LIVRO DA LUZ – Pergunte, O Céu Responde,
de Alexandra Solnado

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A senhora cujo corpo não prestava


A senhora cujo corpo não prestava era uma senhora madura, marcada pelas rugas da idade, pelas dificuldades da vida. Seu cabelo era branco, tratava-se de uma senhora idosa, portanto. Não se sabe ao certo a sua idade. Nunca se pergunta a idade a uma senhora.
Sem dar aso a grande suspense, a senhora cujo corpo não prestava ficou assim apelidada, porque, segundo a mesma, "trabalho sete dias por mês e ando sempre cansada! É do meu corpo, não presta."
A senhora cujo corpo não prestava divagava frequentemente pelas suas memórias, pelas suas opiniões, era uma delícia ouvi-las...
A sua infância, curta infância por sinal, oriunda de família pobre, cedo soube o que era o trabalho no campo. Nunca frequentou a escola, não sabe ler nem escrever.
Casou cedo, era o que se esperava de uma jovem mulher naqueles tempos. E os filhos não demoraram a aparecer... e a crescer...
O seu filho João sempre se revelou um rebelde: passava todo o tempo livre a jogar à bola com o melhor amigo, o António. Não mostrava interesse pela escola, tinha que ir porque era obrigado.
Certo dia, o António ganha um desempate do primeiro round de penalties e exclama:
- Bem, desempate feito, vou para casa!
- Já? Tão cedo? - pergunta o João - Desafio-te para um segundo round, alinhas?
- Oh, hoje não, quero chegar cedo a casa. A minha mãe vai fazer misturadas para o jantar. E como é o meu prato preferido, eu gosto de ajudá-la.
- Vai lá então, mas amanhã quero a desforra. - disse o João.
Despediram-se e cada um seguiu o seu caminho para casa.
Já em casa, o João, visivelmente frustrado pela derrota, grita com a mãe:
- A mãe do António faz-lhe sempre misturadas para o jantar. Eu nunca como misturadas. Também quero misturadas.
- Meu querido filho, amanhã terás misturadas para o jantar. Seja feita a tua vontade. - disse a mãe, a senhora cujo corpo não prestava.
O João ficou radiante; amanhã comeria misturadas... como o seu melhor amigo, o António.
Quando chegou a hora da refeição, o João apanhou uma valente desilusão. As misturadas eram somente pão com feijão, assim uma espécie de açorda de feijão.
A partir desse momento, o João percebeu que apesar das dificuldades da sua família - não tinha as sapatilhas que tanto desejava, os brinquedos eram escassos - outras famílias haviam, em condições piores.
Chegará o dia em que as misturadas voltarão aos lares portugueses? Como no tempo de Salazar?



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

domingo, 16 de outubro de 2011

sábado, 15 de outubro de 2011

O Pós Troika


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Montanha - Alexandra Solnado




"Imagina um homem a caminhar por uma estrada. E a estrada tem contornos, tem curvas, tem subidas e descidas. Imagina também que esse homem encontra à sua frente um verdadeiro obstáculo. Grande. Alto. Largo. Uma montanha. O que é que ele faz? Tem três hipóteses. Ou fica a esmurrar a montanha até a transformar em pó. Ou volta para trás e segue um outro caminho. Ou, a hipótese mais difícil: sobe a montanha. Passa por ela sem sair do seu caminho.
Na primeira hipótese, o homem cansa-se, desgasta-se e se conseguir derrubar a montanha, nessa altura estará tão exausto que não terá forças para continuar o caminho. E o caminho acaba aí. Na segunda hipótese, o homem amedronta-se com a montanha, e volta. Sai, portanto, do seu caminho. Na terceira hipótese, o homem sobe a montanha. Só tem essa chance. Subir. Mas, para subir, ele precisa de se livrar da sua carga. Libertar-se de coisas, desapegar-se de elementos que julgava serem cruciais para essa jornada.
Para subir, o homem tem de aceitar «ser». E vai ficando mais leve. Quanto mais sobe, mais carga liberta e mais leve fica. E quando finalmente chega ao topo, está verdadeiramente liberto. Pode olhar lá de cima para todo o horizonte. E percebe que está diferente. Já não pode descer para voltar ao seu caminho inicial. Deverá continuar dali. E quando ele sentir verdadeiramente isso, eis que um caminho se anuncia a partir dali. Alto, leve, livre.
Quando ele aceitou subir a montanha não sabia que estava a subir de nível energético. E só quando chegou lá acima é que percebeu que já não era necessário descer. O caminho seria feito a partir dali. A vida é exactamente assim. Quando aparece um obstáculo, podes evitá-lo, mudando de caminho mas não de vibração. Ou podes encará-lo, confrontando-te com todas as tuas limitações.
E lembra-te de que confrontares-te com as tuas limitações não é criticá-las nem julgá-las. É aceitá-las e tentar fazer cada dia melhor… mas sem exagero. E é também deixares de te centrar nessas limitações para poderes procurar as tuas capacidades, pois onde há limitações também há capacidades. E quando tiveres encarado o obstáculo e libertado densidade através da aceitação das limitações, nessa altura, estarás a subir a tua frequência energética. E o caminho nunca mais será o mesmo."
O LIVRO DA LUZ – Pergunte, O Céu Responde,
de Alexandra Solnado