segunda-feira, 5 de março de 2012

Galinhas II

Em 1946, a indústria das aves de criação dirigiu a atenção para a genética e lançou o concurso "Frango do Futuro" para criar uma ave que produzisse mais carne do peito com menos alimento consumido. O vencedor foi Charles Vantress, da Califórnia. O sangue da raça Cornish dava às galinhas vermelhas de Vantress, criadas a partir do cruzamento Cornish-New Hampshire, segundo um periódico da indústria, "o aspecto de peito largo que em breve seria procurado, com a ênfase dada ao marketing no pós-guerra."
A década de 1940 também assistiu à introdução de sulfamidas e antibióticos na alimentação dos frangos, o que  estimulava o crescimento e retardava as doenças induzidas pelo cativeiro.
Entre 1935 e 1995, o peso médio dos "frangos de carne" aumentou 65%, enquanto o tempo de espera até chegar ao mercado baixou 60%. Para termos a noção do carácter radical destas mudanças, imaginemos crianças humanas a chegarem aos 135 quilos com dez anos, comendo apenas barras de cereais e vitaminas.
Depois surge toda uma série de doenças... Doenças inflamatórias e auto-imunes, que muitos dos médicos nem sabem como lhes chamar. As meninas chegam à puberdade muito mais cedo, os miúdos são alérgicos a quase tudo e a asma anda descontrolada. Toda a gente sabe que isso se deve à nossa comida. Andamos a manipular os genes dos animais e depois damos-lhes hormonas de crescimento e uma série de drogas sobre as quais não sabemos quase nada. E depois comemo-los.
Os miúdos de hoje são a primeira geração a crescer com isto e estamos a fazer deles (e de nós próprios) uma experiência científica: a biodiversidade substituída pela uniformidade genética.

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