quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Nervos D'Oiro


Meus nervos, guizos de oiro a tilintar 
Cantam-me n'alma a estranha sinfonia 
Da volúpia, da mágoa e da alegria, 
Que me faz rir e que me faz chorar! 

Em meu corpo fremente, sem cessar, 
Agito os guizos de oiro da folia! 
A Quimera, a Loucura, a Fantasia, 
Num rubro turbilhão sinto-As passar! 

O coração, numa imperial oferta. 
Ergo-o ao alto! E, sobre a minha mão, 
É uma rosa de púrpura, entreaberta! 

E em mim, dentro de mim, vibram dispersos, 
Meus nervos de oiro, esplêndidos, que são 
Toda a Arte suprema dos meus versos! 

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

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