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quinta-feira, 3 de julho de 2014

O teu beijo, meu amor.

E à volta tudo como se houvesse à volta. Tudo como se houvesse tudo o que não é, quando te beijo, o teu beijo.

O rasgo dos teus olhos, o cheiro do teu vento, a onda do teu abraço.

Saber que te sou. Incondicionalmente sou-te.

A tua boca por preencher a minha.

Saber que me (te) rendo.

A minha boca por preencher da tua. A colina dos teus braços, a luz da tua voz.

Saber-me-te. Passar o tempo para não me passar de ti.

O abrigo do teu colo.

Sair do espaço que não és tu e saber-me fora do espaço que não sou eu.

O toque da tua pele. O teu beijo, meu amor.

E à volta tudo como se houvesse à volta. E à volta a certeza de que amar-te, meu amor, não tem volta.

Pedro Chagas Freitas

segunda-feira, 23 de junho de 2014


quinta-feira, 19 de junho de 2014


Um poeta barroco disse:
As palavras são
As línguas dos olhos
Mas o que é um poema
Senão
Um telescópio do desejo
Fixado pela língua?
O voo sinuoso das aves
As altas ondas do mar
A calmaria do vento:
Tudo
Tudo cabe dentro das palavras
E o poeta que vê
Chora lágrimas de tinta.

Ana Hatherly

segunda-feira, 16 de junho de 2014


segunda-feira, 9 de junho de 2014


terça-feira, 13 de maio de 2014

Nada se Pode Comparar Contigo

O ledo passarinho, que gorjeia
D'alma exprimindo a cândida ternura;
O rio transparente, que murmura,
E por entre pedrinhas serpenteia;

O Sol, que o céu diáfano passeia,
A Lua, que lhe deve a formosura,
O sorriso da Aurora, alegre e pura,
A rosa, que entre os Zéfiros ondeia;

A serena, amorosa Primavera,
O doce autor das glórias que consigo,
A Deusa das paixões e de Citera;

Quanto digo, meu bem, quanto não digo,
Tudo em tua presença degenera.
Nada se pode comparar contigo.

Bocage, in 'Sonetos'

sábado, 3 de maio de 2014


"Tal é o fenómeno do poeta lírico: como génio apolíneo, ele interpreta a música através da imagem da vontade, enquanto que ele próprio, completamente desprendido da avidez da vontade, é um olhar do sol, puro e imperturbado."
Nietzsche