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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Zip-Zip


Almada Negreiros (1893-1970) entrevistado por Raul Solnado na primeira emissão do programa Zip Zip, transmitido a 24 de Maio de 1969 na RTP.

ZIP-ZIP     Estávamos em Abril de 1969. O Homem ainda não tinha chegado à Lua. Salazar já não estava na cadeira do poder, assumindo-a agora Marcello Caetano. A Censura apertava o cerco à liberdade da televisão. Ramiro Valadão era o novo homem forte a conduzir os destinos da RTP, um braço aliado do poder. Mas apesar da estagnação que se vivia em Portugal, Raúl Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia propunham a realização de um programa diário, "de estúdio aberto, porta aberta". Ramiro Valadão foi peremptório, "Era complicado... mas porque não fazer semanalmente?" - Daí a um mês nascia o Zip-Zip!
Raúl Solnado, Carlos Cruz, Fialho Gouveia     Juntamente com Baptista Rosa, estas 3 figuras que hoje pertencem já à história da televisão em Portugal estiveram na génese da criação de um programa que iria revolucionar o panorama português não só televisivo como social. Depois de falarem com Ramiro Valadão, que concordou apenas com uma ideia vaga de um programa semanal, Solnado, Cruz e Fialho passaram os dias seguintes a criar um programa que, de início, eles próprios não faziam ideia do que queriam que fosse, senão que tivesse pelo menos o mérito de "agitar" o país.
Um acontecimento na vida da RTP e do país     Como os próprios "mentores" do programa o afirmaram, um ano antes o "Zip" não teria sido possível. Mas agora estava-se em plena Primavera Marcelista, e a amplitude de movimentos sempre era um pouco maior. O país, esse, respondeu com entusiasmo a um programa que revolucionou as noites da televisão, o futuro de muitos programas que viriam a ser feitos, a consciência e as atitudes do público e mesmo a relação com os Censores. Alguns tabus caíam, e do primeiro ao último minuto do programa viviam-se tanto alegrias como tristezas. 
As diferenças do que se fazia até aí     Se virmos com olhos de hoje o "Zip", talvez achemos que não foi tão original como isso. Mas estava-se em 1969, numa RTP habituada à seriedade e numa sociedade que, como diria Eça, se afundava no marasmo. Por isso as diferenças saltaram mais à vista nesse tempo: o público assistia da plateia à gravação do programa, falava-se de assuntos que antes teriam justificado quase interrogatórios policiais, os convidados tanto iam das personalidades mais influentes até às pessoas mais comuns, o humor era fresco e vigoroso e a música punha no ar nomes antes impensáveis. 
Zip de noitadas      Toda a equipa que punha no ar o programa trabalhava incansavelmente, até porque as dificuldades com a Censura não davam o mínimo descanso. A amizade entre o trio Solnado-Cruz-Fialho era também muito grande, pelo que era difícil haver obstáculos impossíveis de ultrapassar. "Todas as semanas passávamos mais de 48 horas sem dormir e sobrecarregados com trabalho em excesso", relembra Fialho Gouveia. "Aquele programa só podia ser feito com muito entusiasmo", acrescenta Solnado. Um programa feito com paixão no Teatro Villaret, pelas ruas ou pelos cafés de longas noitadas. 
O frenesim até ir para o ar      Durante a semana a correria ia desde os contactos para as entrevistas, a escrita dos textos de humor até à busca incessante de ideias. Aos sábados, no Teatro Villaret, era tudo posto em prática. O público ocupava os seus lugares e assistia à gravação do programa. Depois a gravação era visionada pelos censores, em conjunto com os autores do programa, e seguiam-se horas pela noite dentro para decidir o que podia, devia, tinha ou não de ir para o ar. 2ª-feira os telespectadores da RTP viam o produto final de um trabalho suado mas recompensador.
Luís Andrade     A realizar o "Zip" estava uma das figuras mais sólidas e importantes da RTP. Decisiva, desde logo, para o arranque do Zip-Zip. No dia de gravação do primeiro programa, eram já 3 horas da tarde e nem sequer tinha ainda havido ensaio. O público aguardava para entrar e o convidado especialíssimo, Almada Negreiros, já estava no camarim. Alguém terá suspirado com a hipótese de ter de adiar a gravação do programa, mas o realizador foi peremptório: "Vamos fazê-lo. Eu faço de caras.", os operadores de câmaras disseram o mesmo, e toda a restante equipa técnica deu o seu apoio para que se começasse a gravar. No fim do dia a satisfação era febricitante; o primeiro "Zip" tinha sido um sucesso. Só faltava agora o "diálogo" com a censura...
Maratonas com a Censura     As noitadas em "negociações" com os censores eram longas e árduas, mas no final, como recordam hoje Solnado, Cruz e Fialho Gouveia, isso servia apenas para dar ainda mais força e ânimo para continuar, pois fazia sentir que se estava a fazer algo de verdadeiramente importante. Mas apesar de inicialmente a permissividade ser generosa, a verdade é que, com as proporções que o programa veio a ter, as coisas se complicaram. De início podia-se "jogar" um bocado: "podem cortar isto mas não aquilo"; mas a pouco e pouco, do censor sempre presente entre o público passou-se a um "estrangulamento"  bem maior. Ao fim de 6 meses, o esgotamento, grande parte dele devido à censura, acabava por fazer terminar o "Zip".
Almada Negreiros     Foi a melhor estreia que o Zip-Zip podia ter. Pela primeira vez o artista estava na televisão portuguesa, para uma conversa que deixaria os portugueses suspensos. Um homem culto, especial, inteligente e que em poucas palavras dava respostas que faziam eclodir as palmas do público. Lá fora, na rua, muitos dos seus quadros estavam expostos, onde Fialho Gouveia fazia uma reportagem diferente, percorrendo falando com os transeuntes. No estúdio, Almada assistia atento e curioso. Na Feira do Livro que então decorria, esgotaram-se os de Almada Negreiros.
As histórias     Solnado recorda uma delas: "No Lumiar, entrevistámos uma mulher que vendia coisas e a que achámos piada. A entrevista estava a ser um falhanço total. Até que um de nós perguntou: "O que é que a senhora já vendeu na sua vida?", e ela: "Vendi tudo, menos pomada para chatos!". Gargalhada geral. O pior veio depois. A Censura não permitiu que a palavra "chatos" fosse para o ar...
O "Zip" desce à rua     A criatividade da equipa que fazia um programa inovador e revolucionário não parava. Luís Andrade conseguia sempre dar respostas criativas aos problemas que surgiam com a execução para televisão de várias ideias, como, por exemplo, a transmissão de um jogo de futebol... de matraquilhos! Produção mais grandiosa foi a entrevista ao maior poeta português... esse mesmo, Luís Vaz de Camões... ou melhor, à estátua dele! Pelas avenidas, entre as bandas de música, na praça de touros... o "Zip" saía do Teatro Villaret, e em vez de esperar que as pessoas fossem ter com ele, ele foi desde o início ter com as pessoas.
Uma imensa felicidade     As palavras de Raúl Solnado quando já o "Zip-Zip" não estava no ar, respondendo sobre o acontecimento mais marcante da década de 60, são elucidativas do que toda a equipa viveu: "Suponho que todos vamos dizer o mesmo: a conquista da Lua. Depois disso, o movimento hippie, e... o Zip-Zip. Desculpem-me as pessoas, mas para mim foi uma experiência extraordinária, que me enriqueceu muito, sob o ponto de vista humano e profissional"; acrescentando ainda: "Durante 7 meses vivi completamente feliz - isso equivale a muitos anos de vida".
IN RTP MEMÓRIA


Sketch protagonizado por Raul Solnado e Fernanda Borsatti na primeira emissão do programa.

CURIOSIDADE: O teleponto era um rolo manuscrito que alguém desenrolava ao longo da emissão.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Com esse português é complicado!

Acabei de ver uma oferta de trabalho no Facebook e, imediatamente, várias respostas. Entre as quais, passo a citar: 

"ola eu tou emtresa meu mumero eh .......... sou da margue sul seixal"

E insiste:

"gostava que me contase comigoeu tou emtresada obrigado"


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Lenda árabe sobre amizade

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A geração enrascada

Recebi este texto via email, está lindo!!! Tinha que o publicar aqui...



O grande homem é aquele que não perdeu a
candura da sua infância…

Pertenço a uma geração que teve de se
desenrascar.

Nasci ao som do rufar dos tambores da 2ª
Guerra Mundial. Os clarins e as sirenes faziam o toque de à rasca, anunciando
mais um bombardeamento.

A Santa da minha Mãe, pariu-me de cócoras. Quando se sentiu à rasca,
muniu-se da tesoura e do baraço e fez tudo sozinha. Chegou por casualidade
uma vizinha e ajudou aos últimos preparativos, talvez um caldo de galinha
velha, que era o prémio de qualquer parturiente. Hoje, as que se rotulam de à
rasca têm seis meses de licença de parto. Essa vizinha, que durou cento e tal
anos, passou a vida a contar-me isto, vezes sem conta.

Aos miúdos, faziam uns calções com uma abertura na retaguarda, e,
quando estivessem à rasca, baixavam-se, o calção abria e fazia-se em escape
livre e, andava sempre arejado.

Aos dezoito anos, ainda o comboio passava em Mirandela e tive o azar
de fazer cargas e descargas dos vagões para os camiões. Os adubos vinham
em sacos de 100 kg, as pernas tremiam mas tinha que me desenrascar. Os
mais velhos sabem do que falo, o trabalho era duro incluindo as cegadas,
mas…. fazia-se tudo a cantar.

A mesma geração, fez as três frentes da guerra colonial, morreram nove
mil e quinze mil ficaram mutilados e a cair aos bocados, chamam-lhes Heróis,
mas dizem desenrasquem-se.

O 25 de Abril foi feito por essa mesma geração, bons líderes, povo unido
e desenrascaram-se muito bem.

Por fim, a debandada da emigração para toda a Europa, atravessando
montes e vales íamos chegando a todo o lado. Vivíamos em contentores e
barracas, o tacho onde se lavavam as batatas era o mesmo para se lavar o
nariz, mas não nos desenrascamos nada mal.

Depois veio a geração rasca. Drogas, rendimentos mínimos e vergonha
de trabalhar.

Agora, dizem ser a geração à rasca, querem ser todos Doutores,
arrastam-se anos à volta dos cursos, os parques universitários estão cheios de
carros de luxo, ficam por casa dos Pais até aos trintas e “quem aos vinte não é,
aos trinta não tem, aos quarenta já não é ninguém”.

São uns enrascadinhos, não querem assumir a responsabilidade de
uma família, vagueiam de noite, dormem de manhã e a Mãe chama-os para
almoçar. O Pai vai recheando a conta, porque um Pai é um banco
proporcionado pela natureza.

Eu não quero medir tudo pela mesma rasa e acredito muito na
juventude, aconselho-os a que se caírem sete vezes se levantem oito, porque o
Governo está à rasca, a oposição está enrascada e a juventude não se
desenrasca.

Os que cantam, Homens da Luta, é uma luta sem comandantes e o povo
vencido jamais será unido.

Façam pela vida… E, não estejam à espera que o mar arda, para
comer peixe grelhado!...

domingo, 23 de outubro de 2011

Gosta - Alexandra Solnado



"Gosta das pessoas. Gosta de cada pessoa. Das suas almas. E se não gostares de alguém, se achares que esse alguém tem muitos defeitos, eu te desafio a encontrares as suas qualidades. Eu te desafio e a encontrares a alma dessa pessoa.
A percepcionares que atraíste essa alma e ela te atraiu a ti. O que, com certeza, não aconteceu por acaso. Seja o que for que vieram fazer à terra, vieram fazer juntas. É que aqui, havendo coisas a cumprir, é melhor fazê-lo com qualidade, com harmonia e com sinceridade.
Ama as almas das pessoas, e ajuda-as a desistir da resistência e a abrir caminho à aceitação. Conversem, como amigos, sobre os vossos pontos de vista e façam alianças pessoais em que ambos ganhem. Nas quais ambos se vejam a ganhar. Não há alma que não queira a harmonia. Não há alma que não queira o amor. Não há."
O LIVRO DA LUZ – Pergunte, O Céu Responde,
de Alexandra Solnado

Aventura-te - Alexandra Solnado



"Eu falo contigo. Mesmo que tu não ouças, mesmo que não compreendas a minha voz, eu falo contigo. Falo através das flores, das frutas, da natureza. Falo através do que tu sentes sempre que te deres oportunidade de contemplar. E sempre que falo, digo-te o que fazer. O que é melhor para ti, a nível evolutivo e experimental. A nível de luz.
Mas nem sempre me ouves. Nem sempre olhas as flores, nem sempre contemplas. Nem sempre paras para me ouvir. Quando falo, dou-te conselhos, direcções. Mostro-te para onde vai a tua vida, e para onde devia ir, por onde és mais feliz e por onde mora a desgraça. A escolha é sempre tua. Só mostro caminhos. Não os escolho. E para quem não ouve, sobra a perda. Quem não me ouve não pode corrigir nada, apenas sofrer a perda e tentar aprender com ela.
A perda, seja ela qual for, serve para que compreendas que o caminho não estava certo. Mas qual é o verdadeiro caminho? Depois da perda, há a compreensão de que é necessária a mudança. Mas mudar para onde? Mudar para quê? É essa a resposta que deves empenhar-te em descobrir. Tens uma vantagem sobre todos os que não olham para os sinais. Sabes que é preciso mudar. Os outros ainda não sabem disso.
Resumindo: só te falta saber «onde» mudar. E para teres essa resposta, olha para o teu coração, olha para os teus mais íntimos planos. Aquilo que «sabes» que tens de fazer, embora ainda te falte a coragem; aquilo que achas ilógico, precipitado e imaturo. Quanto mais rótulos depreciativos o teu ego tiver colocado no teu sonho, mais forte ele será, e mais urgente também.
Aproveita a perda. Se o que achavas que era bom e seguro já não o é, se o que achavas que era certo já não o é, se o que consideravas «normal» não deu certo, então aventura-te. A perda já tens. O não já tens. Agora aposta no teu mais improvável sonho. Aproveita a perda para ires à procura da tua felicidade."
O LIVRO DA LUZ – Pergunte, O Céu Responde,
de Alexandra Solnado